09/05/12
Apontamentos feitos em entrevista de Marina Abramovic
Revirando meus arquivos antigos, encontrei estes trechos anotados num dos encontros que a performer Marina Abramovic deu em São Paulo. data: 04/10/2006, local: Sesc Pinheiros / SP
...
Pintura: Queria pintar... usar tinta a óleo e um artista amigo ia comprar os materiais ... dar umas aulas...
E colocou o pano no chão, sem bastidor. Jogou pigmentos de diversas cores e outras coisas e um líquido e tacou fogo.... explicou que aquilo era o por-do-sol e foi embora. Marina recolheu o que sobrou e colocou na parede... e foi viajar de férias, qdo voltou os restos estavam todos no chão... não tinha mais por do sol. Só cinzas.
Se deu conta que o processo era o evento principal – um ensinamento de Yves Klein
O q é performance?
Muitos artistas dão muitos significados..., É arte baseada no tempo.
Performance: deve estar no espaço e tempo quando está sendo apresentado. Ir (se deslocar onde a performance está sendo feita.
É direta - trabalha energia com o público. É vc e eles. Tudo está acontecendo entre essas entidades.
Teatro é diferente da performance.
Parte do divertimento. Performance é trabalho duro, tem que ter a concentração total do artista e do público. Artista se sente inseguro ( o público pode ir embora)
Vida X arte parece melodramático tudo que se faz na vida deve se querer 100% , deve-se ir além dos seus limites.
William Blake disse: "tem q se ir além do suficiente para entender o que é o suficiente"
A energia...
(Marina) não consegue mais voltar à segurança do estúdio.
Tem artistas que ficam longe do público, criam um produto, não tem que se confrontar.
(Marina) estou livre e vulnerável a vcs! (ao público)
Teatro é diferente da performance.
O teatro está no lugar de outra pessoa, se treina a dor e a caixa preta torna tudo diferente, o palco serve muito bem para acolher isso.
Na performance, os lugares são reais, rudes.
Não acontecem os efeitos teatrais. Tudo é real, tudo é realidade.
Nos anos 70, o primeiro artista da arte do corpo foi um americano.
O corpo era um lugar onde as coisas aconteciam (investigação). body art.
Muitas performances não eram boas...
Como vender? Vender a memória da platéia?
60-70 pressão das galerias... Foi muito difícil naquela época
80 (enciclopédia) fora?
deserto ... mohamed, jesus todos foram para o deserto meditar?...
tibetanos falam que de manhã, quando se acorda se tem uma energia, pode gastá-la fazendo exercícios, fazendo compras no shopping... se sentar na cadeira e não fazer nada, essa energia não vai ser gasta, começa a transformar, começa a acontecer uma mudança na mente... começa a elevar a mente...
Ritmo 10 - primeiro trabalho...
Com som: instalação em Belgrado... falava: "vcs podem ir para o portão 1"... cada 3 minutos, tinha uma viagem imaginária.
O som pode mudar o ambiente, a repetição do som se transforma em...
Outra: jogo das facas entre os dedos... quando se feria, trocava de faca... + gravador (?)
Ritmo 5 - passado: pais comunistas (estrela/pentagrama comunista é recorrente)
restos de madeira são colocados no petróleo.. estrela pegando fogo. Corta cabelo, todas as unhas dos pés e das mãos e coloca em cada ponta da estrela para queimar e entra/deita dentro da estrela em chamas.
Perdeu os sentidos e um médico na platéia a resgatou... pq a gasolina queimou o oxigênio... ficou brava com seus limites...
Ritmo Zero - foi muito criticada... de masoquista, que isso não era arte
Levou 72 objetos para uma mesa e que o público podia manipular e usar no corpo dela. Tinha pistola com bala, algodão, rosa, vela, echarpe, chapéu, unhas, pão vinho, medalha, caneta, casaco... alguém a cortou com gilete e começou a beber o sangue... colocaram o revólver na cabeça dela...
Estava como espelho... corpo-objeto. Estava em situação de risco (limite), mas durante aquele tempo da performance, concordava com tudo. Estava sujeita à tortura pelo público.
Nesse momento surgiu seu primeiro cabelo branco...
Ritual (Marina resgata até hj o RITUAL na performance!)
As pessoas têm medo da dor e medo de morrer. Ela explicita isso. Faz o público ver... o público que vê pode imaginar neles mesmos.
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outro trabalho:
escova cabelo com pente e escova de metal e fala a frase: "art must be beautiful"
arte distúrbio, fazer perguntas e deve ter muitas respostas diferentes. Deve predizer o futuro.
Relation Pieces- realizadas com o marido...
Aconteceu num estacionamento de supermercado (normal), tiraram os carros, fizeram duas colunas de material mais pesado que o corpo deles...
Normalmente realizavam performances para 5 a 10 pessoas, nessa havia 1500 pessoas... gente que ia procurar seu carro no estacionamento, etc...
Realizavam uma expansão no espaço. Moviam as colunas usando o corpo (corpo se chocando contra as colunas)... entende que pode usar a energia para ir além, muito mais, que se não tivesse público ..
No vídeo, as imagens foram cortadas, editadas, pq durou 1h e meia.
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idéia... Marina e o marido são a porta do museu (teatro) em Bolonha (Itália)... interessante a escolha que o público podia fazer, para poder passar entre seus corpos (tipo corredor polonês)... diziam escuza-me!
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outra situação: ficaram 17h na posição sentados de costas, presos pelos cabelos...
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gritaram até perderem a voz (1h e pouco)... ficou sem falar por um mês.
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77'no escuro: corpos como tambor, se batiam... sentados de frente um para o outro se estapeiam na face, um do outro... um dos braços fica imóvel sobre a perna.
Energia (material dos 70') era uma situação da cultura, daquele período...
A performance voltou como fênix (Roselin Goldberg não fala isso???) voltou nos anos 90.
Os clubes ingleses começaram a fazer, a MTV, teatro... Vc vê muitos trabalhos que vem das performances dos anos 70.
Trabalhou com a energia do repouso... ritmo. (antes o público no controle, nesse momento, o marido estava no controle)
Som dos dois corações batendo... arco e flecha... Marina puxa o arco e o marido arma a flecha, apontada para ela (coração?) ficaram assim nessa posição de tensão...
Marina adora um Drama...
12 anos juntos com o marido Ulay.
Os astronautas disseram que fora da Terra dava para ver duas coisas: as muralhas da China e as pirâmides! Essas situações foram construídas encima de linhas de energia... mudança mental ou física...
as igrejas antigamente eram construídas dentro desse princípio...
(Hj colocamos tapetes?)
Levou 8 anos para ter a permissão para fazer uma performance (andar) na muralha da China... foi o fim do relacionamento particular tb... o trabalho foi um ADEUS.
Durante 3 meses cada um começou de um lado e se encontraram no meio... pareciam estranhos um pro outro... a Tv filmou esse momento... eles carregavam bandeiras...
Foi importante para compreender que "não importa o que Vc faça..., no fim, estamos sozinhos"
Aos 40 anos a dor, a depressão com a separação a paralisaram, não sabia o que ia fazer... resolveu exorcizar fazendo uma peça de teatro sobre sua vida, sua biografia... decidiu resgatar a mulher q ela era... usou batom, pintou as unhas... ser mulher artista nos anos 70, não necessitava desses elementos...
o ex-marido foi assistir com a nova namorada .... alguns anos mais nova!
Falava e acena, no palco: Byebye confiança, byebye extremos, estar-junto, pureza, ...
Outros trabalhos: fazer auto-cutting na barriga em forma de estrela... enquanto descrevia momentos (história) da sua vida familiar.
Comer cebola, colocar serpentes diversas sobre o corpo (rosto), esqueleto do seu tamanho sobre o corpo e se movia a partir da sua respiração
Final:
Objetos transitórios (ametistas cristais)
Energia
Almofadas - vc não anda, pára nelas.
Minerais, humano/não humano, cabelo de virgem (coréia?), escadas que podem ser usadas, dependendo do seu estado mental!? (fogo, facas)
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RELEASE do EVENTO: Encontro com Marina Abramovic, divulgado no período pelo SENAC/SP
“O SESC SP traz para o público brasileiro uma das pioneiras da performance, a artista Marina Abramovic, que virá a São Paulo para a inauguração de Balkan Erotic Epic, a sua mais recente exposição, com curadoria de Adelina von Fürstenberg, realização do Hangar Biccoca (Milão) e organização da Art of the World.
A radical artista contemporânea, que pesquisava os limites físicos e mentais do corpo colocando em risco a própria vida em algumas obras, volta-se, a partir da segunda metade da década de 90 afetada pelos conflitos dos Bálcãs, sua terra de origem (Belgrado, Iugoslávia, 1946), para as questões da Sérvia e Montenegro, realizando a obra que lhe rendeu o Leão de Ouro em Veneza, Balkan Baroque (1997). “A dor de seu retorno a um lar despedaçado pela guerra, talvez tenha sido mais difícil de suportar do que, puramente, a dor física que sofreu em suas performances anteriores”, afirma a curadora.
Balkan Erotic Epic (2005) é parte da grande retrospectiva, Balkan Epic, apresentada pela primeira vez em janeiro de 2006, no Hangar Biccoca, em Milão. Em Balkan Epic, a cultura pagã da região balcânica é foco central da investigação de Abramovic. A mostra revela como o erotismo, por meio de rituais descobertos pela artista em manuscritos dos séculos 14, 15, 16 e início do 19, estava profundamente enraizado na cultura sérvia desde os tempos medievais. Esses textos apontam como os órgãos sexuais – femininos e masculinos – representavam para os camponeses instrumentos de cura, de prevenção de doenças, de fertilidade, uma forma de comunicação com os Deuses. “Pensei que seria bem interessante encenar estes rituais que nunca foram encenados anteriormente - existem apenas descrições - para compreender como os observamos atualmente, e tentar conectar este entendimento bastante primordial da sexualidade à compreensão atual”, ressalta Abramovic.
Balkan Erotic Epic é formada por uma instalação de sete vídeos, nos quais a artista retoma os antigos rituais pagãos sob um olhar contemporâneo. Há homens vestidos em trajes tradicionais, com ereção, olhando para a câmera. “São imagens que falam de orgulho nacional, energia muscular e energia sexual, como uma causa para a guerra, para desastres, mas também para o amor”, assinala. Há homens copulando com a terra, como se fossem amantes, mulheres massageando os seios enquanto contemplam o céu, encharcadas pela chuva, cobertas de lama, com a vagina abertamente exposta para a terra.
Na abertura da exposição, durante a palestra da artista (tradução simultânea), às 20h, no teatro do SESC Pinheiros, será apresentado o Making of Balkan Erotic Epic, um filme documentário (vídeo, 31’, sérvio/inglês, legenda em inglês) realizado pelo cineasta brasileiro Richard Haber (Columbia University)”.
04/02/12
Roteiro do Programa MAISON M do dia 03/02/2012 na radioweb minima.fm
GRAVANDO.... MAISON M#13 -
Alooou, está começando MAISON M,,, eu sou Marion Velasco e estou ao vivo na mínima.fm.
Hoje, estreando um modo novo de conversa com os convidados - via skype e por telefone... Outros programas, aqui da mínima, já usam esse recurso, mas eu, começo hoje e espero que dê tudo certo com as ondas do ar,,
e por falar em ONDAS,, aqui no Brasil, estamos em pleno feriadão! ontem, as ONDAS reverenciadas foram as do mar..., em comemoração ao dia de Nossa Sra dos Navegantes (dos católicos) e Iemanjá (a rainha do mar, na cultura afro)...
okay?
Okai. O programa de hoje, trata de MODA e Música... não, exatamente do encontro, da mistura destas duas áreas – porque aaaí,, .... para desespero do Kiko – nosso fiel técnico e operador, eu certamente falaria de Luisa LoveFOXXX – que na semana passada, fez show com sua CSS, no litoral gaúcho!
Enfim,, o programa de hoje...
• faz uma conexão internacional com o duo rocker CANJA RAVE, que reside em Berlim e lança seu 3º disco: “Dirty shoes, balls and old songs”.
• também apresenta música da novíssima banda portoalegrense – CARNE de Monstro e
• faz alguns comentários sobre as semanas de moda no Brasil – Fashion Rio e SPFW, que aconteceram durante o mês de janeiro, com os lançamentos inverno 2012. Então, continuaremos falando de RAVES e MONSTROS... vcs vão ver por que...
• MAISON M ainda recebe, via telefone, Nelson Batista Zimmer – coordenador do Grupo Editorial Sinos, que visitou a COUROMODA – feira de calçados e produtos em SP e fala das novidades no setor calçadista e da revista Lançamentos.
COMEÇA SKYPE...
Olá! Paula... fiquei pensando: - O que eu estava fazendo, que não conhecia CANJA RAVE...
ouvir Dirt shoes, balls and old songs,,, Ducks,,,e Keep my distance!
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CARNE DE MONSTRO –
A banda,, na verdade, um trio, define seu som como surf music distorcido. Não acho que façam surfmusic, mas enfim... a sonoridade é bem 90´s...
Carne de Monstro é formado por Itapa Rodrigues (guitarra e vocal), Boris Rodrigues, seu filho (bateria e vocal) e Maurício Barbosa, (baixo e vocal). As gravações e mixagens são de Diego Pereira.
O trio fez um único show em 2011 e, agora, está compondo e gravando músicas novas.
Além de músico, Itapa é artista visual, com ampla experiência em pintura, desenho e serigrafia... também longa trajetória de colaborações na área da moda e beleza. Antes das unhas decoradas com desenhos virarem moda, Itapa já se aventurava na área fazendo pop nails, pintadas artesanalmente com esmaltes coloridos... Atualmente, freqüenta a graduação em Artes Visuais, no Instituto de Artes – UFRGS e seu trabalho plástico (pinturas e desenhos) pode ser visto no site http://www.flickr.com/itapa
Tbm dá pra curtir a página da Carne de Monstro lá no facebook.
A música que ouviremos, a seguir, chama-se HOT FANTASY.
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COMENTÁRIOS SOBRE MODA: Os lançamentos de coleções outono inverno 2012 no Brasil acabaram de acabar... A FashionRio aconteceu de 10 a 14 de janeiro e a SPFW 19 a 24 de janeiro.
Preciso confessar que já fui uma wannabe jornalista de desfiles de moda.
Não foi a toa que fui para São Paulo fazer especialização nesta área... e por lá pesquisei os desfiles que mais se aproximavam da arte da performance.
Nos 6 anos que morei na cidade, fiz algumas cobertura de desfiles na SPFW para os sites – Moda Brasil,, Bolinhas.com, madeupdisease.com. ,, tbm acompanhei desfiles e lançamentos fora do calendário oficial, promovido por marcas como MCD, Nike, Ópera Rock, entre outras...
tbm fui aos desfiles como interessada em moda, acompanhando profissionais de coolhunting da América Latina, enfim...
O que quero dizer é que, quando se está lá na cidade, mesmo não representando uma mídia de peso, se consegue convites com as assessorias de imprensa, direto nas lojas das marcas que desfilam e com os amigos que estão trabalhando no evento... Foi assim que pude dizer à Cloe Sevigné e ao fundador da revista i-D - Terry Jones,, o quanto eles eram importantes pra mim e para algumas gerações! a loca..... também fui às festas e shows nos lounges dos patrocinadores, etc..., nesse momento, a vida é glamourosa, pq esse momento é realmente uma festa! festa + business.
Mas, cada vez MAIS, me interesso MENOS pelos lançamentos e MAIS pelo que as pessoas estão fazendo com as roupas – ou seja,,, me interessa a rua e as propostas de corpo vestido em/e seus contextos.
Por isso, tenho olhado mais os blogs de streetstyle.
Um blog bacana é o da fotógrafa Ana Clara Garmendia sobre Paris – http://www.anaclaragarmendia.blogspot.com , que também faz cobertura para a revista Vogue Brasil e, na minha opinião, fez os melhores clicks dos frequentadores da FashionRio.
Ainda sobre a FashionRio..., uma matéria internacional interessante, escrita por Glenn Belverio, fala do Rio de Janeiro, das festas (da Osklen com projeções de imagens e tudo mais) durante o evento e da marca New Order - que apresentou uma coleção explicitamente inspirada nos anos 60 – de aeromoças da PanAm às espacialidades de Courrèges... E pode ser lido/visto no site de Diane Pernet – A shaded view of fashion.
Lembrar Q: no 2ndo programa Maison M falei da importância dos desfiles, pro sistema da moda e das suas mudanças ao longo da História...
Assim, dei uma olhada nos desfiles online e fiz clipagem das matérias publicadas e entendi que esta edição do SPFW – inverno 2012, foi morna e com muito bafo... hahahah,,,
1) um deles, foi o comentário de André Do Val, no site CHIC - dia 24/01,, sobre a intimada que Vivi Witheman - jornalista da Folha de SP, sofreu por parte de Pedro Lourenço e Alexandre Herchcovitch, depois de ter publicado que seus desfiles estavam mais comerciais. Esse tipo de abordagem demonstra fragilidade (emocional?!) do jovem designer e do profissional já bem estruturado. Não conseguir receber críticas – e não se trata exatamente de crítica, até porque, em tempos de crise, propor uma coleção mais comercial é uma estratégia. Mas os dois designers sempre foram associados à vanguarda da moda brasileira, sempre se posicionaram com ousadia e pelo visto ainda se vêem assim... Esse tipo de coisas só incentiva/reforça o jornalismo de moda sem opinião, ilustrativo – que descreve exatamente o que já está sendo visto nas fotos e vídeos (como por ex o que se lê ao lado de uma imagem: saia plissada, em tons de azul, jaqueta perfecto preta usada sobre blusa mariner em preto e branco /0\).
2) o outro comentário é mais forte – trata de ética e consciência ecológica. Até postei o link na página MAISON M no facebook para conhecimento... Com o título: “O retrocesso da moda brasileira marca última edição do SPFW” e assinado por Fátima Chuecco, para o site da ANDA – Agência de Notícias de Direitos dos Animais, faz critica do uso de peles verdadeiras (chinchilas, raposas, etc...) nos desfiles de Pedro Lourenço, do seu pai Reinaldo Lourenço,, bem como no de Fause Haten e de Clô Orozco, da marca Huis Clô. Além relatar as formas como os animais são mortos o artigo apresenta alguns depoimentos dos designers, explicando ou tentando explicar as suas posições. Também elenca as marcas que, em 2011, assumiram o compromisso público de não usar mais peles verdadeiras em seus produtos, que são: Iódice, Colcci e Arezzo.
3) A marca mais falada :
A OSKLEN – que ganha destaque internacional, como a primeira marca brasileira de luxo. Lê-se sobre isso no site da www.forbes.com (24.1.2012), em artigo escrito por Anderson Antunes.
Oskar Metsavaht também ganhou a capa e diversas páginas na revista INVESTEERI da Estônia – leste europeu...., E foi a marca destacada por Konca Aykan - editora de moda da revista Vogue-Turquia, que esteve cobrindo os desfiles no Brasil e produzindo um editorial no litoral paulista para sua revista. Ao ser perguntada sobre o que mais chamou sua atenção na semana de moda brasileira, ela respondeu
“Notei que o público que frequenta a Bienal é mais velho do que o da semana de moda da Turquia. Como o país de vocês é jovem, eu esperava ver também estilistas mais jovens. Acho importante ouvir o que as novas gerações têm pra falar que, geralmente, é bem interessante. Eles são rápidos, nos trazem informações de todos os lugares.” do site ffw.com.br – fashion foward
Ainda sobre a Osklen, sabe-se que negocia sua venda e, pelo que entendi, entre os possíveis interessados estão, nada +, nada menos que os conglomerados internacionais: LVMH, PPR, Marvin Traub Associates e a brasileira Alpargatas - grupo que fabrica as famosas Havaianas.
Acho interessante destacar que, Oskar foi escolhido embaixador da Unesco na Conferência das Nações Unidas RIO+20//Agenda 21 e desenvolveu seu desfile pautado/inspirado em questões ambientais - coisa que sempre quis fazer - desde o começo dos 2000, através da sua 2nd linha, a E(earth)-brigade, onde investe em materiais reciclados e ecosustentáveis... Só não entendo muito bem o uso do couro do peixe Piarucu nos produtos. Mas enfim,, a Osklen se inspirou na ECO92 – Conferência realizada no RJ/Brasil em 1992 e na cultura RAVE dos anos 90, que celebrava a música eletrônica de modo outdoor, em meio à natureza e, com isso, propõe o surgimento de um novo Raver - os Earth-Brigaders.
4) Dois nomes em destaques, que fizeram ótimos desfiles, elogiados por muitos, como Constanza Pascolatto são os novos designers, os dois com lojas na Vila Madalena em SP :
FERNANDA YAMAMOTO (moda feminina) – http://www.fernandayamamoto.com.br/home/
Tem loja multimarca na Vila Madalena/SP e investe em coleção própria.
A coleção desfilada na SPFW, teve o Renascimento como tema – um rico período da história da humanidade, de expansão dos horizontes, que chegou à idéia do homem completo, que desenvolve suas competência, dá conta dos seus desejos e, se abre para o mundo material, cultural e descobertas de todo tipo....
O desfile teve styling de Dani Ueda, um especialista em sobreposições. As roupas são assimétricas, compostas de diversas peças, que usadas juntas, parecem uma só... os cortes são descontínuos e com vasados estratégicos e em cores escuras.
Entre os materiais estão os jackards estampados com o retrato da imperatriz Bianca Maria Sforza (século XV), os tecidos com tratamento encerado, pinceladas com tinta dourada brilhante. As estampas são geométricas e há mistura de materiais (patchwork) numa mesma peça e bordados artesanais.
JOÃO PIMENTA (moda masculina) –
A frase enigmática que conceitua o desfile é: “Todo príncipe tem seu Monstro”.
O estilo que norteou a coleção foi pesquisado na sci-fi (steampunk) e faz referência aos médicos da época das pragas que usavam máscaras com longos bicos – onde guardavam ervas aromáticas para atenuar os odores dos doentes atendidos. ANUBIS egípcio?!.
Se por um lado, o desfile destacou a alfaiataria, através do TERNO masculino – com suas tradicionais três peças: paletó, colete, calça. O paletó com cortes arredondados. Por outro, apresentou lãs e tecidos tramados manualmente, ricos em texturas. As cores usadas também são escuras: marinho, marrom, verde musgo, vinho e preto.
Finalizamos o programa conversando - via telefone com Nelson Batista Zimmer, que é formado em Comunicação Social / Jornalismo e coordena o Jornal Exclusivo e a Revista Lançamentos, ambos veículos editados pelo Grupo Sinos, voltados à cadeia coureiro-calçadista e especializados em calçados e acessórios.
Nelson edita conteúdos de moda, além de pesquisar tendências na Europa e participar das mais importantes feiras de calçados no mundo. Entre elas, a GDS em Düsseldorf e a Mican, em Milão.
A revista Lançamentos – tradicionalmente impressa, está com seu conteúdo digital em http://www.exclusivo.com.br com parte do acesso direcionado a assinantes e outra parte aberta ao público em geral com artigos, fotos, blog, datas de feiras.
Numa passada de olhos pelo site, encontrei artigo sobre os lançamentos 2012, em bolsas. Nas lojas, encontraremos bolsas em variados materiais, inclusive na mesma peça...(olha o patchwork!), com linhas retas e formas estruturadas, como pastas e maletas – as “doctor bags” (mesmo imaginário proposto por João Pimenta..). e/ou as vintage – inspiradas nos anos 60,, (como á inspiração da marca New Order – na FashionRio...),, as texturas vem das inspirações nos répteis - pythons, crocodilos,, e através dos pelos (fake-furs – peles sintéticas,, pra não cair na crítica da ANDA e na mira do PETA), inclusive nos adereços, os pingentes que aparecem imitando rabos de raposa e coelho.
Outro estilo em alta (eterno) é o Rock - com tachas, spikes, caveiras e rebites. As cores da natureza – e/ou militares, incluem todos os tons de azul (petróleo, inclusive),, terrosos, verdes, amarelos, inclusive os metais dourados e o granato – uva.
Trecho para conversa com Nelson,,
“Segundo o Centro das Indústrias de Couro do Brasil, houve uma redução de 2% nas exportações de 2011. Pode parecer pouco, mas na verdade é um valor bastante significativo levando-se em conta que esse mercado exportou US$ 2,5 bilhões de couro e peles no ano passado. A estimativa é de que as exportações caiam ainda mais. Ou seja, uma das saídas encontradas é escoar o material internamente. Assim, estilistas adquirem o couro e a pele por preços mais baixos (já que a indústria se encontra em declínio no Exterior) e vendem como se fossem artigos de luxo. No entanto, a morte e o sofrimento dos animais não passam despercebidos por quem tem um pouco de conhecimento do assunto.” (trecho do artigo publicado no site da ANDA, por Fátima Chuecco)
TRILHA SONORA além das músicas das bandas apresentadas:
Phantogram - Mouthful of Diamonds
Parallel Dance Ensemble - Shopping Cart
The Parisians - The Rage REMIX por Pegase (MINITEL ROSE)
Rhum for Pauline - Walker's Lament REMIX por Pegase.
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FIM – Agradecimentos,, falar do próximo programa que será feito ao vivo de SP e do evento promovido pela TENDERE - Agência de Pesquisas em Moda e Beleza,,, que apresenta Pesquisas em Moda no Brasil e Tendências Primavera/Verão 2013, na Unicamp, dia 07/02/2012,, e do qual farei parte... >>>>>>
16/10/11
30/09/11
o mundo em minhas mãos
novas aquisições:
sacolas !!! - a de trama color foi presente de Johanesburgo - África do Sul e a de palha verde foi brinde da revista portuguesa Zen Energy - edição fev.2011. esquecida no fundo da prateleira da tabacaria do aeroporto em Porto Alegre.
unhas !!! pintei ontem com esmalte cor de cobre. Minha manicure disse que outra cliente havia recém trazido de Miami.
Okay, estou com o mundo nas mãos.
26/09/11
Tricô, Crochê e seus ziguezagues expressivos
No meio dos 90´s, quando as tecnologias digitais começaram a modificar nosso cotidiano, além da automação associada à redução de empregos, ouvia-se falar do fim dos livros, das rádios, do desenho, da pintura, etc, etc, etc..., enfim, das atividades que dependessem da intervenção/produção manual do sujeito.
Desde lá, todos os setores passaram por mudanças significativas e muitas funções deixaram de existir, mas outras foram criadas e algumas apareceram atualizadas.
Assim, depois de 16 anos do boom tecnológico, pode-se dizer que as atividades manuais, artesanais ressurgiram super valorizadas [vide a pintura com a street art, o desenho para o design gráfico, etc...], elegantes e associadas a outras questões [que vamos combinar, são óbvias, intrínsecas à função, mas só agora, se destacam] para além da decoração e/ou da funcionalidade.
Em 2005, quando mudei para São Paulo, costumava atravessar o viaduto sobre a Av. 23 de maio, no bairro Paraíso.
Nesse lugar, nos finais de tarde, um jovem estendia seu pano no chão e oferecia acessórios feitos em crochê e tricô. Eram peças simples como: faixas de cabelo, echarpes, colares [um dia, me encantei com um colar de cordão encerado e pequenas bolas de crochê color stoned e o comprei], mas o que mais me intrigava era o fato do tricoteiro ser um menino, bem como sua compulsão pela função, já que não parava de trabalhar nem quando alguém se aproximava dos artigos. Naquele momento, eu não sabia que, desde os tempos antigos, os homens se encarregavam de tricotar e as mulheres de preparar o fio.
No mesmo período, uma amiga jornalista [compartilhando da mesma surpresa] comentou em seu blog que, um garoto sentou-se no ônibus ao seu lado e não tirou da mochila um livro, revista, ipod, pacote de salgadinhos [whatever]..., mas duas agulhas, um trecho de malha pronta e passou tricotando durante todo trajeto.
Entrelaçar os fios manuseando um, dois ou mais instrumentos ponteagudos, inclusive, sem o uso de agulhas, é técnica praticada por homens e mulheres [sim!] e muito antiga na criação de uma malha elástica. Existem registros, pelo menos, desde a antiguidade no Egito, Grécia, China e América do Sul.
Ao que tudo indica, no mito-drama-performance de Penélope que faz/desfaz/refaz uma malha, enquanto espera o marido Ulisses voltar da guerra, tricotar é uma ação estratégica, usada como pretexto com múltiplas funções: marcador de tempo, escudo protetor contra adversidades, prótese psicológica]. Dizem que os belgas [ah! esses belgas] disseminaram o knitting para outros países da Europa, Inglaterra e Irlanda.
Sobre a tradição da tricotagem em povos do norte, Vado Mesquita, mestrando em Design e integrante do grupo de estudos Ziguezague da Universidade Anhembi Morumbi, nos confidencia
“Eu tive uma parceira finlandesa por alguns anos e visitei aquele fantástico e sui generes país muitas vezes. Eles tem uma linda tradição de tricotagem. Talvez pelo clima tão inclemente e as muitas guerras e ocupações que sofreram, todas as pessoas tem pelo menos uma malha e/ou peça de roupa que pertenceu a um antepassado e que percorrem várias gerações até se desfazerem no tempo. Roupas carregam muitas significâncias por aquelas bandas.”
São muitos os pontos e, como vimos, muitos os modos de se fazer tricô. A seguir, veremos o ziguezague dos fios em madeira com pregos e com pinos: A produção manual teve alguma alteração com a invenção da máquina de tricô caseira e virou negócio com a confecção em maquinário industrial.
No final dos 60´s e nos 70´s, as atividades manuais [entre elas, as técnicas de crochê e tricô] foram resgatadas e difundidas pelos hippies, cujo movimento deu start na cultura alternativa e artesanal, na customização e reuso de materiais [protoidéias do que mais tarde seria chamado de DIY – do it yourself, e adotado ao extremo pelos punks], em busca de liberdade, independência do sistema capitalista, de [mais adoração do que] respeito ao meio ambiente, bem como em resposta à crise do petróleo que ocorria naquele período e interferia, signitivamente, na produção têxtil.
[curiosidade: até hoje, o uso de uma tanga (beachwear) de crochê, por Gabeira em praia carioca, instiga a a imaginação das pessoas e funciona como ícone de ousadia e valores jovens dos 70´s].
Estas técnicas artesanais e sua estética, rapidamente, foram adotadas pela moda institucionalizada.
A Missoni – marca/empresa familiar italiana, com cinqüenta anos no mercado da moda, construiu sua personalidade e imagem neste período e conquistou sua posição de sucesso com a criação de uma malharia super colorida, sofisticada e de qualidade.
Missoni mohair vintage, 1970 [de: http://www.etsy.com/listing/35307634/vintage-missoni-1970s-knit-mohair-blend].Missoni nos 80´s.
Missoni em recente parceria com Converse.
Missoni e ziguezagues, hoje.
Como já foi dito no começo deste post, em algumas décadas houve baixa do trabalho artesanal em favor das novas tecnologias. Mas como tudo que desce, sobe..., hoje, através da microcultura hipster, o valor e interesse por artefatos vintage e pelos artesanais vem sendo retomados e misturados aos itens de tecnologia de ponta. Na moda, quase todas as marcas, nacionais e internacionais, pontuam suas coleções com malhas, independente das estações.
Hussein Chalayan knit para revista iD smile 2011-07
Prada headbands.
A nova galera do design de moda tem se dedicado à criação artesanal e autoral em malharia. Aqui no sul, se destacam: Helga Kern que montou a Hola que Tal, com produção manual de peças, já desfiladas no DonnaFashion Iguatemi-Porto Alegre e desenvolvidas para a marca OEstúdio com desfile no FashionRio e Helen Rödel que agrega glamour e refinamento contemporâneo à criação de peças feitas em tricô e crochê manual. A marca participou, com a Ellus2nd Floor, do SPFW2010 e desfilou coleção no Dragão Fashion 2011. Veja AQUI um delicioso documentário criado por ela.
máscara Rödel para Ellus 2ndoor.
Éh, estamos vivendo um grande novo momento na produção artesanal e isso não diz respeito apenas ao tricô e crochê, tampouco é exclusividade do mundo da moda. Mas é impossível dar conta, aqui, da história destes saberes, bem como dos roteiros e pólos criadores no Brasil, América Latina e mundo, no entanto, vale comentar as novas demandas da prática do tricô e do crochê, que vem sendo usados como meio de expressão e forma de ativismo pelo povo da Arte. Nesse modo, a prática ganha outros nomes: graffiti knitting, guerrilla knitting e yarnbombing.
Uma artista que vem causando estranhamento e furor com seus trabalhos é a polonesa Agata Oleksiak, que reside em Nova York. Mais conhecida como Olek, essa espécie de ´mulher aranha´ produz crochê para criar esculturas, intervenções e performances urbanas. Nada escapa da sua trama, seja corpos e/ou artefatos já existentes, como: bicicleta, telefone, árvore, vaca, mobiliário, paredes de casa..., o mundo inteiro! Acompanhe seu trabalho no site e blog.
foto de Diego de Godoy em Nova York.
Outras artistas também modificam, com seus crochês, a paisagem das grandes cidades. É o caso de Crystal Gregory em Nova York e de Juliana Santacruz Herrera em Paris. Veja matéria.
Vado Mesquita também colabora com outro rico link sobre o assunto:
Como se isso não bastasse, o tricô aparece renovado em divisórias, como a proposta da Prima Design em seu stand na feira Casa Brasil em Bento Gonçalves-RS. Veja matéria de Winnie Bastian.
. Como protagonista de eventos, pode-se destacar a tarde promovida pela Cartel em São Paulo:
A tricotagem como motivo para abertura de lugares pode ser conferida na matéria da revista TAM nas nuvens (edição setembro 2011), que aponta a Novelaria
no bairro mais ´arteiro´ de São Paulo, a Vila Madalena.
E, em Nova York:
Pra terminar, segundo meu analista, é justo nos anos 90, através das novas tecnologias, que se consegue fazer o rastreamento do cérebro e entender que estão no corpo caloso [faixa fibrosa], as fibras responsáveis pela troca de informações entre a parte esquerda e a direita do cérebro. Em geral, usamos apenas uma, mas na prática do tricô e do crochê, ao trabalharmos com as duas mãos, ao mesmo tempo, um ziguezague se estabelece em nosso cérebro e integra ambas as partes. [paradoxalmente, as novas tecnologias que apontavam o fim das atividades manuais, permitem descobrir que a prática artesanal do tricô e crochê (entre outras mais...) é capaz de fazer o nosso cérebro funcionar por inteiro. ;)]
Barba, cabeça e bigode de tricô: eu, usando uma máscara de tricô contemporânea ´das diabladas´ do Perú.
Desde lá, todos os setores passaram por mudanças significativas e muitas funções deixaram de existir, mas outras foram criadas e algumas apareceram atualizadas.
Assim, depois de 16 anos do boom tecnológico, pode-se dizer que as atividades manuais, artesanais ressurgiram super valorizadas [vide a pintura com a street art, o desenho para o design gráfico, etc...], elegantes e associadas a outras questões [que vamos combinar, são óbvias, intrínsecas à função, mas só agora, se destacam] para além da decoração e/ou da funcionalidade.
Em 2005, quando mudei para São Paulo, costumava atravessar o viaduto sobre a Av. 23 de maio, no bairro Paraíso.
Nesse lugar, nos finais de tarde, um jovem estendia seu pano no chão e oferecia acessórios feitos em crochê e tricô. Eram peças simples como: faixas de cabelo, echarpes, colares [um dia, me encantei com um colar de cordão encerado e pequenas bolas de crochê color stoned e o comprei], mas o que mais me intrigava era o fato do tricoteiro ser um menino, bem como sua compulsão pela função, já que não parava de trabalhar nem quando alguém se aproximava dos artigos. Naquele momento, eu não sabia que, desde os tempos antigos, os homens se encarregavam de tricotar e as mulheres de preparar o fio.
No mesmo período, uma amiga jornalista [compartilhando da mesma surpresa] comentou em seu blog que, um garoto sentou-se no ônibus ao seu lado e não tirou da mochila um livro, revista, ipod, pacote de salgadinhos [whatever]..., mas duas agulhas, um trecho de malha pronta e passou tricotando durante todo trajeto.
Entrelaçar os fios manuseando um, dois ou mais instrumentos ponteagudos, inclusive, sem o uso de agulhas, é técnica praticada por homens e mulheres [sim!] e muito antiga na criação de uma malha elástica. Existem registros, pelo menos, desde a antiguidade no Egito, Grécia, China e América do Sul.
Ao que tudo indica, no mito-drama-performance de Penélope que faz/desfaz/refaz uma malha, enquanto espera o marido Ulisses voltar da guerra, tricotar é uma ação estratégica, usada como pretexto com múltiplas funções: marcador de tempo, escudo protetor contra adversidades, prótese psicológica]. Dizem que os belgas [ah! esses belgas] disseminaram o knitting para outros países da Europa, Inglaterra e Irlanda.
Sobre a tradição da tricotagem em povos do norte, Vado Mesquita, mestrando em Design e integrante do grupo de estudos Ziguezague da Universidade Anhembi Morumbi, nos confidencia
“Eu tive uma parceira finlandesa por alguns anos e visitei aquele fantástico e sui generes país muitas vezes. Eles tem uma linda tradição de tricotagem. Talvez pelo clima tão inclemente e as muitas guerras e ocupações que sofreram, todas as pessoas tem pelo menos uma malha e/ou peça de roupa que pertenceu a um antepassado e que percorrem várias gerações até se desfazerem no tempo. Roupas carregam muitas significâncias por aquelas bandas.”
São muitos os pontos e, como vimos, muitos os modos de se fazer tricô. A seguir, veremos o ziguezague dos fios em madeira com pregos e com pinos: A produção manual teve alguma alteração com a invenção da máquina de tricô caseira e virou negócio com a confecção em maquinário industrial.
No final dos 60´s e nos 70´s, as atividades manuais [entre elas, as técnicas de crochê e tricô] foram resgatadas e difundidas pelos hippies, cujo movimento deu start na cultura alternativa e artesanal, na customização e reuso de materiais [protoidéias do que mais tarde seria chamado de DIY – do it yourself, e adotado ao extremo pelos punks], em busca de liberdade, independência do sistema capitalista, de [mais adoração do que] respeito ao meio ambiente, bem como em resposta à crise do petróleo que ocorria naquele período e interferia, signitivamente, na produção têxtil.
[curiosidade: até hoje, o uso de uma tanga (beachwear) de crochê, por Gabeira em praia carioca, instiga a a imaginação das pessoas e funciona como ícone de ousadia e valores jovens dos 70´s].
Estas técnicas artesanais e sua estética, rapidamente, foram adotadas pela moda institucionalizada.
A Missoni – marca/empresa familiar italiana, com cinqüenta anos no mercado da moda, construiu sua personalidade e imagem neste período e conquistou sua posição de sucesso com a criação de uma malharia super colorida, sofisticada e de qualidade.
Missoni mohair vintage, 1970 [de: http://www.etsy.com/listing/35307634/vintage-missoni-1970s-knit-mohair-blend].Missoni nos 80´s.
Missoni em recente parceria com Converse.
Missoni e ziguezagues, hoje.
Como já foi dito no começo deste post, em algumas décadas houve baixa do trabalho artesanal em favor das novas tecnologias. Mas como tudo que desce, sobe..., hoje, através da microcultura hipster, o valor e interesse por artefatos vintage e pelos artesanais vem sendo retomados e misturados aos itens de tecnologia de ponta. Na moda, quase todas as marcas, nacionais e internacionais, pontuam suas coleções com malhas, independente das estações.
Hussein Chalayan knit para revista iD smile 2011-07
Prada headbands.
A nova galera do design de moda tem se dedicado à criação artesanal e autoral em malharia. Aqui no sul, se destacam: Helga Kern que montou a Hola que Tal, com produção manual de peças, já desfiladas no DonnaFashion Iguatemi-Porto Alegre e desenvolvidas para a marca OEstúdio com desfile no FashionRio e Helen Rödel que agrega glamour e refinamento contemporâneo à criação de peças feitas em tricô e crochê manual. A marca participou, com a Ellus2nd Floor, do SPFW2010 e desfilou coleção no Dragão Fashion 2011. Veja AQUI um delicioso documentário criado por ela.
máscara Rödel para Ellus 2ndoor.
Éh, estamos vivendo um grande novo momento na produção artesanal e isso não diz respeito apenas ao tricô e crochê, tampouco é exclusividade do mundo da moda. Mas é impossível dar conta, aqui, da história destes saberes, bem como dos roteiros e pólos criadores no Brasil, América Latina e mundo, no entanto, vale comentar as novas demandas da prática do tricô e do crochê, que vem sendo usados como meio de expressão e forma de ativismo pelo povo da Arte. Nesse modo, a prática ganha outros nomes: graffiti knitting, guerrilla knitting e yarnbombing.
Uma artista que vem causando estranhamento e furor com seus trabalhos é a polonesa Agata Oleksiak, que reside em Nova York. Mais conhecida como Olek, essa espécie de ´mulher aranha´ produz crochê para criar esculturas, intervenções e performances urbanas. Nada escapa da sua trama, seja corpos e/ou artefatos já existentes, como: bicicleta, telefone, árvore, vaca, mobiliário, paredes de casa..., o mundo inteiro! Acompanhe seu trabalho no site e blog.
foto de Diego de Godoy em Nova York.
Outras artistas também modificam, com seus crochês, a paisagem das grandes cidades. É o caso de Crystal Gregory em Nova York e de Juliana Santacruz Herrera em Paris. Veja matéria.
Vado Mesquita também colabora com outro rico link sobre o assunto:
Como se isso não bastasse, o tricô aparece renovado em divisórias, como a proposta da Prima Design em seu stand na feira Casa Brasil em Bento Gonçalves-RS. Veja matéria de Winnie Bastian.
. Como protagonista de eventos, pode-se destacar a tarde promovida pela Cartel em São Paulo:
A tricotagem como motivo para abertura de lugares pode ser conferida na matéria da revista TAM nas nuvens (edição setembro 2011), que aponta a Novelaria
no bairro mais ´arteiro´ de São Paulo, a Vila Madalena.
E, em Nova York:
Pra terminar, segundo meu analista, é justo nos anos 90, através das novas tecnologias, que se consegue fazer o rastreamento do cérebro e entender que estão no corpo caloso [faixa fibrosa], as fibras responsáveis pela troca de informações entre a parte esquerda e a direita do cérebro. Em geral, usamos apenas uma, mas na prática do tricô e do crochê, ao trabalharmos com as duas mãos, ao mesmo tempo, um ziguezague se estabelece em nosso cérebro e integra ambas as partes. [paradoxalmente, as novas tecnologias que apontavam o fim das atividades manuais, permitem descobrir que a prática artesanal do tricô e crochê (entre outras mais...) é capaz de fazer o nosso cérebro funcionar por inteiro. ;)]
Barba, cabeça e bigode de tricô: eu, usando uma máscara de tricô contemporânea ´das diabladas´ do Perú.
05/09/11
fashion movieperformance by P.A.M.
Carpets and Rugs in Sport é um movie superr performático com conteúdo mítico: urbano/pagão/religioso, que aproveita os ´erros´ técnicos de filmagem - como cromakey vazando na roupa e nas bordas da imagem e trilha noisy. Foi criado para lançar a coleção outono/inverno 2011/12 da marca de Melbourne Perks and Mini (P.A.M.), de Misha Hollenbach e Shauna Toohey.
As roupas, este trabalho e outros experimentos audiovisuais nonsenses do casal podem ser vistos em: www.perksandmini.com e entrevista na Dazed digital
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